Chegou em casa às três horas da manhã, impressionada com a cena que vira no bar: uma moto atingida por um carro, cujo motorista fugiu, sem dar assistência ao motoboy. A ambulância demorou um tanto quanto para chegar, e quando o fez, para o sofrimento do acidentado, demorou horas e horas no local após o corpo do motoboy ter sido colocado em seu interior (estariam leiloando os órgãos do motoboy?).
Tensa, não conseguiu dormir logo, e ouviu barulhos estranhos, de vozes: um tumulto! Ouviu tiros, objetos sendo quebrados, e logo percebeu o que estava acontecendo: um grupo de jovens havia invadido a clínica de fiosioterapia que ficava em frente ao seu prédio, e estavam fazendo uma baderna lá dentro. Depois ouviu gritos deseperados de mulher, simultâneos a urros e gargalhadas.
Acordou no dia seguinte, e lembrou-se de tal situação como se tudo fosse um sonho ou alucinações de uma mente insone...
Foi à banca mais próxima comprar o seu jornal, como fazia todo domingo, e qual não foi o seu espanto quando constatou notícia que confirmava seu "sonho", dizendo que um grupo de jovens realmente invadira a clínica próxima à sua casa e estrupara e decapitara uma mulher lá dentro. O caso estava sendo investigado e já haviam alguns suspeitos.
Dias depois ficou sabendo que a perícia médica constatou que a mulher havia sido estuprada antes e após ser decapitada...
Contra a sua vontade, Virgínia imaginou um homem barbudo e babando uma saliva pegajosa em cima de um corpo sem cabeça, acariciando seios nos quais não mais corriam sangue...